Depois de muito pensar, vagarosamente refletir e, mais uma vez, não vi mudanças dentro desse meu eu que insiste em permanecer encorajado. Eu permaneço viajando nos meus pensamentos, sentada na cama no mesmo lugar que fiquei quando você acabou, oscilando meus sentimentos. Insisto em gritar para meu interior que o amor não passa, como forma de não tentar esquecer, mas me equivoco porque era isto que eu deveria almejar! E quando fecho os olhos, só escuto aquelas batidinhas la no fundo dizendo: A vida não acabou! Ouvi meu coração e certamente não morri, mas nada vai ser o mesmo sem você aqui pra me guiar. Nem meus sorrisos serão tão constantes, nem minhas lágrimas vão deixar de cair.
A única coisa que me conforta, se é que posso me sentir assim, é que há relatos de que as pessoas tem a capacidade de amar outras mais de uma vez, não com o mesmo amor, mas não o deixa de ser. Eu vou tentar acreditar! Vou tentar aliviar as dores em busca de um novo amar, de um novo ter e um novo ser. Por vezes, pensei que fosse um regresso do futuro, mas hoje, nesse dia nublado, olhando a água que ficou na janela depois da chuva, percebi que estou só construindo mais uma parte de mim, amadurecendo um coração e aprendendo que nessa vida sobre amar, a única certeza é não saber como será o fim.
Essas águas vão passar e levarão saudades de momentos ternos, tocantes e deliciosos, mas que devem ficar no fundo da gaveta. Dia ou outro, vou abrir. Talvez pra sorrir das coisas boas ou para lembrar dos tempos de criança [digo isto por ter sido o sentimento mais puro e inocente de todos] e ver meu amadurecimento.
O quarto está escuro, e na TV passa mais um filme que já deduzi o fim com um casal cheio de mimos, sorrisos e o ar de "felizes para sempre". Noite passada eu acreditaria, mas hoje... ah! hoje é um novo dia! Eu tenho a fiel certeza que mais cedo possível o Sol vai aparecer.


