E mais uma vez, volta aquela menina de olhos escuros que brilham intensamente como se dissessem ao mundo que a luz interior nunca se apagará. Ela me disse uma vez que nada é tão desprezível e ninguém é tão pouco que não mereça uma segunda, terceira chance, e admito que essas palavras me deram um conforto que nem um adulto poderia trazer com típicas palavras mórbidas, frias e sérias. Talvez a doçura naquele rosto inocente é que fazia com que eu acreditasse em coisas, antes, estúpidas. Talvez a voz mansa, aquele tom suave mostrava para mim que ainda tinha recomeço, que ainda valia a pena tentar e ser feliz. O tempo se passava, e a cada conversa, ela se fazia mais presente, parecia que começava fazer parte de mim e viver em mim. Um dia ela me disse que veio ao mundo com uma missão: de fazer permanecer nas pessoas a fé, acima de todas as coisas, acima dos desencantos da vida, das dores e desamores, das perdas, das mágoas e das feridas que machucavam o coração e a alma. Conversando pela ultima vez, e lembrando essas palavras que lhes disse ela foi desaparecendo, como névoa. Foi indo, lentamente até não poder vê-la. Mas lembro-me, como se fosse hoje, que mesmo sem a ver, escutei aquela voz novamente dizendo: - Não se entristeça, não estou indo embora, mas estou fazendo parte de você. Aqui, minha missão foi cumprida. E assim, despediu-se aquela que permanece viva em mim e que me faz acreditar em dias longos, melhores, felizes. ESPERANÇA cruzou o meu caminho e marcou em mim para sempre!
